vou escrever.
devo isso a mim, devo isso ao mundo.
vou escrever como nunca escrevi antes, escrever como se não houvesse amanhã.
não quero pensar sobre o que estou escrevendo, pois isso tiraria todo o propósito.
quero me surpreender depois, ao ler o que escrevi, e não me arrepender.
quero tirar os fardos, as correntes que aprisionam a minha expressão e jogá-las essas páginas abaixo.
já faz um bocado de dias que estou nessa mesma situação, UM MUNDO DE COISAS passa na minha cabeça, bilhões e bilhões de sinapses me oprimindo com suas opniões.
e não estava sendo capaz de racionalizá-las. novamente, esse é meu erro.
Racionalizar?
POR QUE?!
eu não preciso entender tudo para ser feliz, eu nunca vou entender tudo E ser feliz.
Mas eu quero, por que esse é o meu jeito.
NÃO GOSTO DE PERDER O CONTROLE, mas as almofadas da vida sempre o encobrem de mim.
queria produzir uma obra de arte, e ser eternamente reverênciado por ela.
mas não aconteceu ainda, talvez aconteça.
só que, no momento eu não tenho me esforçado muito pra dar certo.
TUDO o que eu tenho feito é me disperdiçar em coisas pequenas, em vidas alheias, em becos sem saída.
passo horas que são maiores que as horas comuns, fitando a parede, e os quadros que estão nelas e o que cada um deles representa.
isso me conforta, mas não me liberta.
busco nas pessoas, compreensão, admiração e amor.
e com certo sacrifício, consigo.
mas o que eu PRECISO não está nos outros, está em mim!
perdido no espaço sideral
quando penso no cosmo, na vastidão e no vazio do espaço, TODO AQUELE ESPAÇO VAZIO, eu me sinto claustrofóbico.
partículas, atômicas, ridículas.
que eu admiro com grande reverência.
saber que eu, nós, em nível atômico somos feitos da mesma COISA, saber disso, me ESMAGA.
Por que isso não é suficiente?
essa estranhamente confusa e indecifrável vida que eu jamais poderei viver inteira, não é suficiente?!
outras vidas, outros planos, viver eternamente.
não quero isso mais do que eu gostaria de poder voar. um sonho distante, que por mais que me esforce, nunca acontecerá.
eu quero tudo, ou absolutamente nada!
mas confesso, essa parte de todas as outras com alegria, que amo biológica, química e atomicamente.
com verdade.
e é disso que me orgulho.
‘não tenha medo’ é o único conselho que estou disposto a dar, por que é o único que eu estou seguindo.
já me sinto melhor,
mas logo serei tomado por novas conjecturas e argumentos inexplicáveis.
mas estarei melhor preparado para recebe-las, nem que na base da pancada.
danar o corpo para sanar a mente.
sem pieguisse emocional. BOXE mesmo.
os momentos mais lindos são aqueles que depois de chegar de uma luta exaustiva, onde apanhei mesmo, é sentar e saborear as sensações.
a mente acalma, e os músculos retesados me recordam que estou vivo.
gosto de Jack Kerouac, ele escrevia contando as palavras.
2000 plavras em um dia, mil em outro.
termino o ano com quinhentas.
obrigado.